quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sem.


"Hoje, quando acordei,
Vi as linhas que cortam o meu rosto
sadicamente sorrindo para mim no espelho
Que sadicamente sorriram para mim no espelho.
Arrastei minhas mãos até a cama
Deitei meu rosto como deita o chão no meu joelho.
Em meu derradeiro fim
Eu fui devagar até a entrada do portão de madeira
Subindo, levemente, cada degrau daquela escada
Como fosse a primeira
Na última vez, então, parei,
um pé acima e outro, que apoiava no calcahar,
Sujeitando o esquerdo abaixo da sola do direito
Fingindo um breve caminhar.
O som do violino que cantava
Nas mãos de um homem que qualquer canção tocava
Vibravam ondas e o calor da nota
Que toda nota em mim tocava
No meio da multidão linhas turvas,
Linhas douradas em um castanho escuro
Tão doce e selvagem ouro que me doeu
Era amargo como um dia eu fui.
Que de toda esperança me enriqueceu.
Passou entre tantos e veja só,
Tantos, todos, eram nada.
Que queimou como brasa, todo...
Meu corpo que congelava.
Um homem se pôs em frente à porta,
Era escuro como o carvão,
Passava os dedos no rosto secando a lágrima
Fingindo ser um lenço a sua grosseira mão
A tiete incendiava com um fogo vil a platéia
E ninguém queria seus favores
Eu fechava os olhos
E fechava a boca para não deferir meus amores.
E assim ali inerte
Permaneci inebriada em mim mesma
Nos olhos de quem passou
Nos passos de quem andou
Nas notas que ele tocou.
E de repente...
Shhhhh...
O momento final.
A platéia de aplausos
E nada mais.
Minhas sensações se perderam
E desci as escadas de madeira
Como se fossem as últimas:
De maneira corrida
como pintura mal feita e úmida...''

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O mundo é feito de grandes filhos da puta que praticam filha-da-putagem o tempo todo com outros filhos que não são de putas e não têm nada a ver.
A gente vive num morro, onde se pede socorro, e enquanto delira só consegue descer.
E depois lá embaixo, umedecido no sangue, se diz ADEUS.

domingo, 11 de julho de 2010

Preto&Branco


"Ontem parecíamos duas linhas
Que se enrolavam de maneira aleatória
Cada vez mais confusa;
Tuas mãos consolando as minhas
Envolvidas por uma sintonia simplória
E friamente difusa.
Sustentados num abraço opaco
Esperando o desfecho do alívio
A morte da discussão.
O que era belo até então tornou-se fraco
Vagando inebriado pela solidão.
Não escuto então na brisa do inverno
A música que outras madrugadas dançavam em mim,
Apenas ecos do ontem
Do ontem que foi o fim."