quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PARem


"-Peguem as laranjas! - gritou o menino gorduxo do boné surrado.


"-E escolham as mais pútridas! Quanto mais se fizer a podridão nesse manto falecido, esquecido ele se tornará! Mais ganharemos pontos em nosso ego, afinal, quem vai nos julgar?!"


"-PAREM COM ISSO!" - gritava em si, deteriorando-se, a pequena Lira enchendo os olhos com inexistentes lágrimas, enfrentando tal ausência de romance.


Ao dançar nela, as laranjas, saltitavam em sua veste, e como uma peste em sua alma exalava, um aroma indefinido de perfume cítrico, com o perfumar de um odor cínico.
Ela precisava apenas do silêncio, de um jazigo, onde o mínimo que se pudesse oferecer fosse um instante de descanso esquecido.


"Vão embora do meu sepulcro, e levem consigo esse efêmero fervor! Não derramem aqui esse mau corrosivo, nesse meu largo templo de horror!"


Cansada então, desistiu. O tempo caminhou, se esqueceu, em meio aos restos dos protestos, ainda ali, permaneceu.





E enloqueceu.

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