sábado, 27 de fevereiro de 2010

Não sou ruim contigo.


- Tu, não me dá a mínima atenção! Um gesto de carinho teu é menos esperado do que a existência de Deus! Te dou liberdade ( friccionando as mãos freneticamente ) te dou apoio, sou teu alicerce! É assim que me agradece?


- Mas... ( as mãos na boca) "tolo, como pode pensar algo tão brutal?"


- Fico aqui, no abandono do lar, pronto pra tua chegada, e desperto a todo momento por tua partida!


-Não é minha intenção, te quero bem, sempre, e sempre vou.


- Céus! Eu sempre disponibilizo meus momentos para ti, sempre disposto meus sentimentos ficam quando me chamas, e é isso? apenas 20 ou 30 minutos e estás pronta pra uma nova aventura, e eu... aqui, no abandono do lar.


-Me desculpa, achei que...


-Achou errado. Penso que é melhor eu partir, penso que é melhor parar agora. Só o que eu pedi foi uma noite, um momento feliz...


(sempre em discussão...)



...Quer saber? Adeus!


-Mas... espera! Como podes tu, saber o que eu sinto, tu não sofre menos que eu, me fazes sentir como um montro que enjaula na tua liberdade! Porque me tratas assim? Porquê?


- Nada mais, me despeço, me despedaço, tu és SEM CORAÇÃO!


E sai, ele, com o amigo que o estava esperando, com a garrafa cheia de whiskey, seus planos formados, sua felicidade. E fica ela ali, na sede da angústia, na lamúria da culpa, no infinito do sentimento dele, e ela? Onde ela está? Pra onde vai? E ELA?

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

- Como ousa, coração pobre! A amar ainda, o indigno de ser amado! Como ousa, sentimento tão nobre poder ser tão audacioso até chegar no ponto de ser desprezível?! Deixa eu te sentir, coração, e mais uma vez fazer rir os meus nervos por esse teu negro fluir! Pensas tu que por queimar em fogo ardente, podes mesmo me fazer consentir tal "amor"?

- Eu que não lhe permito tal infâmia! Sou dono de ti, posso fazer-te debruçar aos pés da dama mais indiscreta e oferecer à ela teu desgaste emocional, teus bens e... eu mesmo!

- Veja, que presunção! Tu, deste tamanho, nessa empáfia, não vês que sou tuas pernas? Por mais danos que possas tu me causar, ainda assim, só chegará ao teu destino através de minha vontade!

- Sim, tua certeza está correta. Porém, faria tuas entranhas agonizarem e teu crepusculoso troféu de livre arbítrio se esvair num só toque perfumado de uma jovem dama. As mesmas pernas que me levariam por teu consentimento até onde eu quisesse, se convulsionariam violentamente até onde ( leve sorrir ) eu... quiser (longa pausa).

-Vejo que não fui claro. Teu amor não é nada, quando a razão em mim fala mais alto.

- O amor não tem palavras, elas não vão ser teu escudo para o sentir.

- Então, veja (...)




Imagem: Gustave Courbet

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


"E o pior é saber

Que eu dou amor à quem não amo,

E quem eu amo eu guardo ao meu lado,

E aqueço quando chamo.

E quando chama, se apaga

Se perdendo por aí,

escrevendo cartas de sangue,

Achando que esqueci."

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


"...E é como se uma bomba relógio atacasse meus sentidos, pulsando segundos que transpiram calor a cada toque. De repente me tornei selvagem, vil e convexa. Delirantes, meus gritos atravessam minhas veias, gemendo o pulsar do sangue que transborda a incandescência do prazer.

Ah... esse amor me ultrapassa todas as linhas, e cada linha escrita é um toque macio e faminto no meu corpo, na minha pele, mas no meu coração, parece nada acontecer.

As cores desbotaram essa noite, logo após uma noite de amor com ela mesma. E de repente incandesci, de repente apaguei. E eu, nos meus lírios e delírios, não fui suficientemente apaixonante para mim por um instante. Percebi que era preciso lamentos, esperas e palavras, e silêncios, cheiros, que sinto agora mesmo sem estar.

E o pedaço de papel que perfuma essa minha noite (e só minha), descansa dobrado ao lado do meu corpo, fazendo companhia ao meu recital de devaneios e loucuras apaixonadas.

Perdoem os príncipes e os cafajestes, mas esta noite eu pertenço à mim (E só a mim)! Embora o quisesse.

Hoje o perfume me basta, hoje a essência me envolve, na solitude de mim, apenas minhas mãos no meu corpo deslizando como a brisa, suave e selvagem como uma flor silvestre. Hoje eu sou minha, hoje vocês, são EU."