segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A Loucura do amor de Lira


E Lira caminhando no bosque, pensativa continuava sem entender... que mesmo com toda briga e toda essa separação, toda essa confusão, esse ódio desenfreado, não importa o que acontecesse, fazia com que ela escrevesse belas poesias de amor, mesmo que todo o mundo caísse sobre a cabeça dos dois, mesmo que eles próprios pensassem que tudo estava perdido, ainda assim, com lágrimas nos olhos ela escrevia suas canções...
Ainda mesmo que ele a perturbasse, era nele que ela pensava nas noites de solidão, ou até mesmo nas noites em que estava acompanhada. Um amor que ultrapassa o grau de crueldade da donzela que amou seu assassino, da vítima que sente saudades da psicopatia de quem a machucou, ja era algo divino e além das linhas do querer, e apenas querer, era algo que nem o nada depois da morte seria capaz de derrubar no escuro da imensidão.
Era uma palavra que ainda não existe.
Era bom, era mau.

"Pois és o único que em toda poesia
se revela.
Meu amor inseparável.
Tua canção no meu peito,
tua ternura em meu sonhar.
Meu amor,
Meu mais belo poema!"

Gritava Lira "poraí" saltitante e destemida, olhando fixo na cara do belo pássaro literato, ou de algum bichinho que ousasse subir em suas pernas, daqueles bichinhos que apenas sabem subir nas coisas, sem pensar no que exatamente vão fazer quando alcançar o topo. Pensou gritar na caverna do pequeno ogro covarde, mas esperou que o mesmo se ocupasse com coisas fúteis como comer a suculenta coxinha de alguma menininha indefesa.
Gritava pra a grande árvore folheada de ouro que lhe dava maçãs vermelhinhas e lustrosas todas as manhãs, gritou para todas as rosas escutarem, gritou também para a margarida que enfeitava a janela... dele. Bradou aos pedaços nos ouvidos de quem apenas responderia: "menina louca!"

E por fim, caiu no cansaço, em meio às folhas secas... com uma doce lágrima, sussurrando "meu amor..."
No embalo das lágrimas de Lira, sapos e algum beija-flor florido e perfumado dançavam à sua volta num ritmo lento e sugestivo. Adormeceu ali, nas pedrinhas e folhinhas... sem forças, esperando...
o amanhã.

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