sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

- Como ousa, coração pobre! A amar ainda, o indigno de ser amado! Como ousa, sentimento tão nobre poder ser tão audacioso até chegar no ponto de ser desprezível?! Deixa eu te sentir, coração, e mais uma vez fazer rir os meus nervos por esse teu negro fluir! Pensas tu que por queimar em fogo ardente, podes mesmo me fazer consentir tal "amor"?

- Eu que não lhe permito tal infâmia! Sou dono de ti, posso fazer-te debruçar aos pés da dama mais indiscreta e oferecer à ela teu desgaste emocional, teus bens e... eu mesmo!

- Veja, que presunção! Tu, deste tamanho, nessa empáfia, não vês que sou tuas pernas? Por mais danos que possas tu me causar, ainda assim, só chegará ao teu destino através de minha vontade!

- Sim, tua certeza está correta. Porém, faria tuas entranhas agonizarem e teu crepusculoso troféu de livre arbítrio se esvair num só toque perfumado de uma jovem dama. As mesmas pernas que me levariam por teu consentimento até onde eu quisesse, se convulsionariam violentamente até onde ( leve sorrir ) eu... quiser (longa pausa).

-Vejo que não fui claro. Teu amor não é nada, quando a razão em mim fala mais alto.

- O amor não tem palavras, elas não vão ser teu escudo para o sentir.

- Então, veja (...)




Imagem: Gustave Courbet

2 comentários:

  1. Que massa o texto. Gostei da parte dos parênteses descrevendo ações no meio da fala. É simples, mas muito interessante. Explora mais isso para a gente ver como fica. :P

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  2. Explorar a simplicidade também é bom! é nela que se encontram as coisas mais complexas, engraçado isso. Farei =)

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