terça-feira, 23 de março de 2010

Vou pra lá


"Vou pra Bahia que dá,

Ou pra Bagdá, que não.

Vou pro Sul, pro Paraná,

Pra São Paulo, São João.

Quem sabe Porto Alegre,

Não muito alegre, Bagé.

Talvez eu vá de bicicleta,

De avião tenho medo, vou a pé.

Acho que vou pra Dom Pedrito,

e passe por Santa Catarina,

Melhor mesmo é Gramado,

Porque lá é mais bonito.

Vou pro Rio, Cristo Redentor,

No milagre dos céus não acredito,

Vou-me embora pra Pasárgada

Como disse Manuel Bandeira,

E tenho dito."

segunda-feira, 22 de março de 2010

Apanhei a sacola, e fui em direção à parte verde do supermercado. Olhei por cima das frutas e legumes até encontrar o vermelho ácido dos tomates.

"-Encontrei vocês!" - gritei saltitante

Um cara meio carrancudo olhou meio esquivo e soprou pra si mesmo como se dissesse

"-Guria retardada".

E como se eu desse toda a atenção do mundo pra o que ele pensou... segui em frente.

Uma senhora charmosa se pôs ao meu lado, e se opôs a mim por que uso meu cabelo pintado de vermelho, ora! Ela ia comer tomates vermelhos... As unhas delas ainda cheiravam à esmalte molhado e salão de beleza barato. Sorri e fiquei observando, ela pegou um, dois, três tomates! Nenhum estava bom o suficiente,

"-Esse me parece estar velho, aquele tem uma mancha verde, e esse aqui, han... tem uma ferida, ora tomates com feridas!"

E jogou ele longe. Fiquei sentida com aquilo, fitando o pobre tomate ferido, pois, o tomate velho estava por apodrecer, o da pequena mancha verde em breve ia amadurecer, mas... e o ferido, quem ia querer? Por um tempo fiquei olhando pra ele, sem pensar em absolutamente nada, até que balancei a cabeça e meio que acordei da viagem,

"-Pronto! é tu que eu vou levar pra casa!"

Cheguei em casa, larguei as compras, coloquei a água do miojo pra esquentar e fui ver o tomate, ora ele estava suado, como se prevesse o futuro, pensei:

"Ninguém te quis, mas eu te quis, só eu sei a dor de ser tomado nas mãos e não ser apreciado e envolto por alguém, ou no caso, pela sacola por possuir algum defeito, essa tua ferida, vamos cuidar dela, fica calmo tomatinho, a natureza é assim mesmo, às vezes acontece"

Peguei a faca e arranquei aquela ferida, o tomate pareceu se sentir aliviado porém, estava sem um pedaço.

(Dentro do tomate, mal sabia eu que existia tanta vida e que aquela vida queria me dizer algo.)

Algum tempo antes de eu entrar naquele supermercado, um homem meio bruto e com pouco amor à vida, acostumado a ir sempre escolher tomates para seu molho de pizza, toda vez que escolhia alguns, enfiava o dedo em um tomate, justamente pra deixá-lo ferido, essa brutalidade se repetia, se repetia, até que alguém criasse coragem de denunciá-lo pro gerente, mas do qe adiantaria afinal, vários tomatinhos já teriam sido machucados e instantâneamente rejeitados por outras pessoas e por eles mesmos, por não se acharem dignos de fazer um molho decente.



No fim, o tomatinho virou molho.


Morreu.
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terça-feira, 16 de março de 2010

Descaso.


- Porque ele me verde!

- Ele te verde? Como assim???

- Sei lá, o cheiro dele me verde...

- As coisas agora te colorem?

- Exato! E quando me colore daquele verde, feliz fico eu!

- Acho que compreendo... às vezes também me vermelho.

- Te fazem cores também?

- Não, me machuco.

sábado, 13 de março de 2010

Simples.


"Porque depois sou eu quem fica correndo atrás de soluções."


Simples.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Desventura...


"Quando escrever não faz sentido,

É como um zumbido que afoga o ânimo,

É como um cântico noturno e melancólico,

Que bufa no peito em suspensão, Meio alcoólico,

Um carnaval sem folia,

Um arsenal, com magos sem magia,

Um clarão que cega, incessante,

É como sorrir sem alegria,

Guardar os doces na estante,

Olhar pro lado e enxergar o que está acima,

É como música infantil sem rima,

Pedaços de um cristal esfarelado,

O puríssimo branco, amarelado,

Nada mais.

É ver no horizonte o futuro,

E ainda assim, andar pra trás..."

terça-feira, 9 de março de 2010

Se é pra ser, assim que seja assado.

Sou mulher, independente
Vê se cai fora da minha frente,

e não se abanca,
Se vier, você se tranca,
Por que hoje, to nem aí!
Se vier vai levar chumbo,
vai dar tua banda vagabundo
Que da tua cara só vou rir!
Sou lutadora, tenho raça
E você ainda acha graça,
Em tentar me persuadir?!
Vê se some, tu não é homem
Em mim não vai encostar!
Eu trabalho dia e noite,
Pra ouvir tanta besteira,
Violência e bebedeira, cai fora do meu lar!
Não to aqui pra te escutar!
Você tenta, e invade, mas a minha propriedade
É privada, impenetrável,
Pra roubar minha dignidade,
Com esse teu ar de maldade
Infundado e intragável,
NEM PENSAR!
Nem aqui, nem noutro lugar.
Não tenho cara nem careta
Pra tentar ser explorada,
Difundida e maltratada, hahahaha!
Toda essa crueldade, seu bandido,
Seu COVARDE!
Logo, essa opressão!
Sustentar meu sacrifício, meu pão,
Mais o teu vício, mais a tua judiação?!
Não!
Se tens braço, eu tenho fome,
Sou guerreira, sei lutar
Aqui não é o teu lugar!
Te coloco atrás das grades,
e se quiseres,
Me invade,
Mas vai ter que aguentar!
Tenho meus direitos humanos,
As marcas não vão ficar debaixo dos panos,
Sofrimento e humilhação?
Não!
Chantagem, roubo e suborno
Se sou "mulher do lar", então te aqueço no meu forno
Você vai ter que aguentar!
E depois de tanta injúria, desgosto e calúnia,
Ainda quer me limitar?
Sabe o que vai acontecer?
Sou Maria, minha lei nº 11.340
Quem sabe, a gente tenta,
Mas é melhor você correr.




Em homenagem à todas nós, mulheres desse planeta, 8 de março, dia internacinal da luta política, social e humana da Mulher.
Lei "MARIA DA PENHA" nº 11.340/06
Em caso de violência doméstica, NÃO SE CALE, cale o agressor, se você souber algum caso de violência, ou sofra algum tipo de dano físico ou psicológico, denuncie! Exija os seus direitos.
Central de Atendimento à Mulher:
Telefone: 180