segunda-feira, 22 de março de 2010

Apanhei a sacola, e fui em direção à parte verde do supermercado. Olhei por cima das frutas e legumes até encontrar o vermelho ácido dos tomates.

"-Encontrei vocês!" - gritei saltitante

Um cara meio carrancudo olhou meio esquivo e soprou pra si mesmo como se dissesse

"-Guria retardada".

E como se eu desse toda a atenção do mundo pra o que ele pensou... segui em frente.

Uma senhora charmosa se pôs ao meu lado, e se opôs a mim por que uso meu cabelo pintado de vermelho, ora! Ela ia comer tomates vermelhos... As unhas delas ainda cheiravam à esmalte molhado e salão de beleza barato. Sorri e fiquei observando, ela pegou um, dois, três tomates! Nenhum estava bom o suficiente,

"-Esse me parece estar velho, aquele tem uma mancha verde, e esse aqui, han... tem uma ferida, ora tomates com feridas!"

E jogou ele longe. Fiquei sentida com aquilo, fitando o pobre tomate ferido, pois, o tomate velho estava por apodrecer, o da pequena mancha verde em breve ia amadurecer, mas... e o ferido, quem ia querer? Por um tempo fiquei olhando pra ele, sem pensar em absolutamente nada, até que balancei a cabeça e meio que acordei da viagem,

"-Pronto! é tu que eu vou levar pra casa!"

Cheguei em casa, larguei as compras, coloquei a água do miojo pra esquentar e fui ver o tomate, ora ele estava suado, como se prevesse o futuro, pensei:

"Ninguém te quis, mas eu te quis, só eu sei a dor de ser tomado nas mãos e não ser apreciado e envolto por alguém, ou no caso, pela sacola por possuir algum defeito, essa tua ferida, vamos cuidar dela, fica calmo tomatinho, a natureza é assim mesmo, às vezes acontece"

Peguei a faca e arranquei aquela ferida, o tomate pareceu se sentir aliviado porém, estava sem um pedaço.

(Dentro do tomate, mal sabia eu que existia tanta vida e que aquela vida queria me dizer algo.)

Algum tempo antes de eu entrar naquele supermercado, um homem meio bruto e com pouco amor à vida, acostumado a ir sempre escolher tomates para seu molho de pizza, toda vez que escolhia alguns, enfiava o dedo em um tomate, justamente pra deixá-lo ferido, essa brutalidade se repetia, se repetia, até que alguém criasse coragem de denunciá-lo pro gerente, mas do qe adiantaria afinal, vários tomatinhos já teriam sido machucados e instantâneamente rejeitados por outras pessoas e por eles mesmos, por não se acharem dignos de fazer um molho decente.



No fim, o tomatinho virou molho.


Morreu.

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