E o relógio, dono da direção dos ventos, mais uma vez se impôs, com sua virilidade severa, me culpando de cima.Deliberado ditador, aponta-me as horas, o tempo, a angústia. Ele, que fica na parede passando as horas (parado), e serve-se do desespero de quem vive pelo tempo, ordena agora que eu me cale, e me culpe. Ele me mostra as horas, a rua, a obscuridade úmida de um porão, as árvores e seus galhos fortes e viris, os vidros, vidros, vírus, vínculos, os prédios altos e fascinantes, faiscantes com sua platéia (dilúvio incandescentemente sujo, de um marromerda). E eles me olham de cima com seus olhares angelicais e sutis, e movem-se num parâmetro gigantesco e me olham com seus olhares ferozes e fúteis, com esses olhos fundos e egoístas, servindo-se de toda paixão fugaz. Arrancam-me as roupas e sussurram horrorentozamente brados infiéis de “eu te amo”, “pra sempre”.
E o relógio corre...
tic, tac, tic, tac, tac, Tac, Tac, TAC, TAC, TAC,TAC, TAC,TAC
E essas palavras tatuam em mim, e eu olho pra baixo e vejo alienação e sinto um cheiro solitário e cruel, e olho para cima, quero saltar no pescoço dessas palavras que me rodeiam, que me enojam, e o tempo diz: “é tarde”... e a tarde vai indo com a noite, e todos se vão, quando sento e descubro que o amor é apenas um vírus que se instala e nunca mais sai, deixa feridas resistentes, e coloca sua resistência à beira do abismo. Todos querem saltar para agarrar suas palavras, seja lá a cor dos olhos, de quem lhe deu esse mal.
Mas... o maior presente que uma pessoa pode realmente lhe dar é a Morte.
E não há como fugir, o tempo está em mim.
E não há como fugir, o tempo está em mim.
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