
"Hoje, quando acordei,
Vi as linhas que cortam o meu rosto
sadicamente sorrindo para mim no espelho
Que sadicamente sorriram para mim no espelho.
Arrastei minhas mãos até a cama
Deitei meu rosto como deita o chão no meu joelho.
Em meu derradeiro fim
Eu fui devagar até a entrada do portão de madeira
Subindo, levemente, cada degrau daquela escada
Como fosse a primeira
Na última vez, então, parei,
um pé acima e outro, que apoiava no calcahar,
Sujeitando o esquerdo abaixo da sola do direito
Fingindo um breve caminhar.
O som do violino que cantava
Nas mãos de um homem que qualquer canção tocava
Vibravam ondas e o calor da nota
Que toda nota em mim tocava
No meio da multidão linhas turvas,
Linhas douradas em um castanho escuro
Tão doce e selvagem ouro que me doeu
Era amargo como um dia eu fui.
Que de toda esperança me enriqueceu.
Passou entre tantos e veja só,
Tantos, todos, eram nada.
Que queimou como brasa, todo...
Meu corpo que congelava.
Um homem se pôs em frente à porta,
Era escuro como o carvão,
Passava os dedos no rosto secando a lágrima
Fingindo ser um lenço a sua grosseira mão
A tiete incendiava com um fogo vil a platéia
E ninguém queria seus favores
Eu fechava os olhos
E fechava a boca para não deferir meus amores.
E assim ali inerte
Permaneci inebriada em mim mesma
Nos olhos de quem passou
Nos passos de quem andou
Nas notas que ele tocou.
E de repente...
Shhhhh...
O momento final.
A platéia de aplausos
E nada mais.
Minhas sensações se perderam
E desci as escadas de madeira
Como se fossem as últimas:
De maneira corrida
como pintura mal feita e úmida...''