sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O Suicídio da Gota.


Essa noite,
A árvore estendeu seu galho, vestido pela brisa orvalhada, que caía molhada no chão.
Dançava a gota na ponta, esperando o momento
De jogar-se contra o chão.
Ansiosa, num pulo ao encontro trágico jogou-se levianamente,
E ao cair refletia no seu corpo como um espelho
A imagem daquilo que havia em sua volta, tornando-se tudo aquilo que a rodeava.
Foi o reflexo da flor,
O reflexo do bosque,
O reflexo de outras gotas,
Até se tornar o reflexo da sua própria dor.
Caiu na roseira, deslizou na rosa,
Parou durante um tempo na curva dos Seus espinhos...
delirou, Delirou, DELIROU...!
...caiu na terra e fundiu-se ao chão.
Ficou estática observando de baixo a dança das folhas,
As folhas da macieira já negras por maldade do tempo...
Permaneceu ali, umedecendo a noite da terra e o corpo da rosa,
Satisfazendo a beleza da flor e a sede da terra.
Às 6 horas, quando o sol se ergueu com uma virilidade intensa e magnífica
Determinada a aquecer e confortar da sua maneira vermelha,
Secando o corpo das árvores e suas folhas, as plantas e as pétalas da rosa,
Secando a terra e toda água...
...Era o fim da gota.



Era o fim.

À noite a árvore estendeu seu galho novamente.
E chorou uma nova gota que pacientemente esperou a hora de jogar-se.
Às três horas, despediu-se do braço amigo da árvore e seguiu destino.
Suavemente caiu sobre a terra mergulhando em pedrinhas e insetos.
Envolveu-se à uma semente.
Penetrou com toda vida, todo amor.
Uniu-se intensamente ao seu encontro, ficando segura no ventre da semente.
Aos poucos foi permanecendo e fortificando-se com a chegada do sol.
Até tornar-se uma bela rosa negra, brilhante e delicada
Esperando o mergulho de alguma gota que se atrevesse...
...a suicidar-se
Nas suas pétalas.

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