sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dèja vu - Contos

Madrugada lúgubre, três horas. O espectro da brisa gelada cortava os vidros das silenciosas casas da rua. Eu, em longos e tortuosos passos tremidos, buscava calor e conforto em qualquer canto da cidade, mas de nada me adiantava a pressa enquanto o severo frio executava seu trabalho e acertava meu rosto como agudas facadas, eu precisava chegar logo em algum lugar. Decidi ir para casa. Todo aquele desconforto me desesperava, a cada passo enforcado que eu dava, fazendo com que a terra do chão úmido cravasse entreos desenhos do meu solado do coturno, cantando uma música desagradável e perturbante música "cra.. cra.. cra..", e o assovio do vento que passava por mim,cantante, despreocupado como se eu nem existisse para ele. De repente, subiu em mim uma súbita vontade de gritar, mas meu queixo estava paralisado pela gélida noite.. e aquela noite estava sendo um pesadelo. Quando eu estava à apenas alguns metros de casa, animada procurei apressar meus passos fazendo com que o frio se torna-se prazeiroso, já que logo eu estaria aquecida. Subia as escadas ofegantemente e peguei minha chave, entrei, e para minha surpresa minha casa estava mais fria que a maldita rua! Segui meu profundo desespero em cada peça da casa, como alguém, que está para morrer, procurei fogo, álcool, procurei vida, e NADA! Encontrei apenas o vazio do inverno recheado com meu desespero, penetrando em cada poro da minha pele! As paredes da minha casa tornaram-se de gelo, cobriram-se do teto ao chão para o meu pânico. Meu desespero estava desiquilibrado e eu já não tinha forças quando surtei pelo corredor escuro e bati minha cabeça. Acordei como se nada tivesse acontecido tropecei em longas escadas, que eu seguia a subir até encontrar uma sala, avistei uma lareira, minha face se tomou por um sorriso prazeiroso e fui ao encontro do fogo como alguém vai ao encontro de um antídoto, mas a lareira se deu por tomar a forma de uma gigantesca e assombrosa garganta que cospia chamas ardentes, e que escoha agora fazer? Sem pensar corri até a grande chama e lancei meu corpo contra ela, fazendo nos tornar uma única substância. Acordei então, de súbito na frnte da lareira em uma casa, exasperada eofegante, repetindo inúmeras frases sem sentido,senti o quente de uma pequena pinha que queimava perto dos meus pés e de repente, aliviei meus pensamentos. "Era apenas um doloso pesadelo!" - logo penso eu - Olhei pro lado e meu companheiro de "viagem" me sorriu, chamando pelo apelido. Contei-lhe o sonho, e ele como escritor, imaginou uma grande aventura tomada por fantasia, e começou a falar enquanto eu vestia minha mata vermellho-sangue, ele falava, imitava e eu pegava minhas coisas, fui saindo daquele lugar, meio desordenada enquanto observava ele, nop meio da sala gesticulando grandes inventos e aventuras, conversando.. com o calor do ar... sozinho. O deixei em paz com as suas loucuras, prometendo voltar, desci todas as escadas , feliz e apressada abri a porta do apartamento, o frio era cortante, mas eu estava feliz por te me livrado do "sonho",e ter saído da casa daquele maluco. Comecei a percorrei o caminho com longos e felizes passos, até eles começarem a se tornar curtos e delirantes, as cores estavam ofuscadas pela neblina, logo o chão molhado.. e a rua era escura... o espectro da brisa gelada cortava os vidros das silenciosas casas da rua. Eu, em longos e tortuosos passos tremidos, buscava calor e conforto em qualquer canto da cidade, mas de nada me adiantava a pressa enquanto o severo frio executava seu trabalho e acertava meu rosto como agudas facadas, eu precisava chegar logo em algum lugar, decidi ir para casa. Todo aquele desconforto me desesperava, a cada passo enforcado que eu dava, fazendo com que a terra do chão úmido cravasse entreos desenhos do meu solado do coturno, cantando uma música desagradável e perturbante música "cra.. cra.. cra.."... Mas... "Isso já..." fui despertada do frio por um pequeno Dèja vu*... que foi se mostrando complexo a cada passo que eu dava e a cada coincidência que marcava, começava a entrar em pânico, chegeui na minha rua e corri até as escadas da minha casa e "novamente" encontrei as paredes da minha casa... congeladas! Voltei três passos para trás e saí correndo daquele lugar, decidi fazer diferente desta vez e me livrar quem sabe, do real pesadelo. Decidi optar pela casa do louco sonhador, onde encontrei a porta entreaberta, meio acanhada, como se fosse um convite para entrar, subi novamente as malditas e longas escadas e tranquei a porta quando virando-me lentamente, e num sorriso assustado e forçado falei: "Imagine que agora.." Meus olhos se chocaram com uma grande chama, a ponto de eu perder meu equilíbrio, quando me deparei com a lareira em forma de garganta.. com a grande chama me esperando, largando suas ardentes chamas. Decido então "novamente" me entregar à ela, e percebo pouco antes, que fugir não só é desnecessário, quanto é inevitável o acontecimento...






*Déjà vu é usualmente pensado como uma impressão de já ter visto ou experimentado algo antes, que aparentemente está a ser experimentado pela primeira vez. Se assumirmos que a experiência é na verdade uma recordação, então o déjà vu ocorre provavelmente porque uma experiência original não foi completamente codificada. Nesse caso parece provável que a situação presente dispare a recordação de um fragmento do passado que se baseia numa experiência real mas de que temos apenas uma memória vaga. A experiência pode ser perturbadora, principalmente se a memória está tão fragmentada que não há conexões fortes entre esse fragmento e outras memórias ou nenhuma conexão consciente pode ser feita entre a situação atual e a memória implicita.

4 comentários:

.\,,/ Deixe sua marca aqui também.. ficarei honrada.