quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Um post que preste.
"Preciso de um post que preste, por que postar sem prestar não tem razão. Talvez alguém me empreste, ou eu possa criar, porque não? Nem sei se algo aqui está errado, muito denso ou muito descolado, e também não preciso saber, e também não preciso inventar, acho melhor não postar... mas preciso ser criativa, e ousar um ousar diferente, talvez escreva pra ler só eu mesma, ou talvez eu seja escrita pra muita gente. Não sei, não sei... se eu paro ou se deslizo por aí... se eu posto, aposto que nada, vai mudar alguma coisa que está aqui..."
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Mors Tua Vita Mea

"-Que final sangrento! Poderia ter sido diferente se talvez os olhos dele me atraíssem mais!" - Sussurrei fitando aqueles olhos inertes enquanto meu punhal saboreava sua artéria. - As paredes da sala choravam sangue... aquele sangue tão espesso e ínfimo que corria nas veias daquele homem fútil e insensível. Levantei de súbito em direção à primeira garrafa de whiskey que tivesse a cor mais pálida e me fizesse apagar aquele vermelho, aquele... aquele sangue sujo! Estava por toda parte como uma praga que devasta! Minhas mãos choraram com o suor da culpa, de repente estremeci, estremeci não o corpo, mas os sentidos, e eles tomaram conta de mim, e com movimentação maníaca aquela bebida descia amarga e inquietante, transformando o prazer da fuga numa derradeira aflição -"Céus o que eu fiz! Me tornei o que eu mais abomino, me tornei maldade, antes ela penetrava em mim durante algumas frias horas, agora, sou!". Aquilo me perseguia, de repente, um murmúrio flácido e desejado me enfeita os ouvidos, com palavras que pareciam uma outra fuga oportunista. Enraivecida proferi algumas coisas ainda com o gole na boca, fazendo com que a raiva cuspisse toda a dose -"Mas quem é você pra me dizer que o errado é o certo? Não vê que matei um homem?" Logo sua resposta veio de imediato, como se o desespero tivesse me possuído naquele momento, que certo era meu propósito, certo era a retaliação daquela carne. E na penumbra dos sentidos surge uma silhueta esculpida de sentimentos estranhos, enquanto eu apreciava o desenho de cada parte daquele... homem? Um alívio prazeroso tomava e conta das minhas mãos, da minha mente, da minha culpa... Suavemente sua mão cortesã alisava a minha, e numa dança sublime de suas mãos levando meu punhal em direção ao meu pescoço, num passo dançante se pôs atrás de mim... sussurrou com uma doce melodia aquilo que eu precisava fazer... agora eu era meu inimigo, a partir do momento que o tornei à mim, e como todo inimigo, precisava ser morto. Prazerozamente cravei o punhal, sentindo o gosto do sangue, ardente como o fogo, subindo pela minha garganta, delícias se passavam à frente dos meus olhos, quando me vi úmida, coberta pela camada vermelha que outrora me enojou, satisfeita sorri e suavemente profana com um sorriso desfaleci. Agora eu estava livre.
O dia que me descobri.

No dia em que me descobri,
Estava passeando por aí.
De repente me encontrei.
De repente me perdi.
No dia que me descobri,
Foi um dia chuvoso de inverno,
Era quente como o inferno
E brilhante como a lua.
Minha cabeça girava,
Meu corpo gemia,
no dia que me encontrei,
VAZIA.
Me olhei, virei o rosto,
dava dó me ver tão assim!
No dia que me descobri
foi o fim!
Levantei minha cabeça morta,
Arrumei os cabelos e acariciei meu rosto,
Pensei comigo mesma: E se de repente...
E me cobri novamente.
Saí por aí à procura,
De algo que não era eu.
De repente então descobri,
Que Natália morreu.
(...)
Sou humana.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010

"Às vezes penso que fui feita,
Sem uma certa receita,
No qual ninguém sabe refazer.
Toda vez que me desfaço,
Falta um certo pedaço,
Que não consegue se restabelecer.
Falta uma certa cobertura,
Doce como a clara de neve,
E forte como o amargo do chocolate,
Às vezes algo em mim ferve,
Ou se parte.
Às vezes passo do ponto,
e não encontro como voltar atrás.
Às vezes fico pronta,
E acabam comigo numa fome voraz!
Não deixam um pedaço de mim,
Ou algum resquício.
Quem me inventou só não sabia,
Da dificuldade do cozinheiro,
Que sabe os ingredientes certos,
Mas não sabe como fazer perfeito.
E daqui sigo, no meu destino incerto,
Pensando em alguém que faça direito."
De repente.

"De repente o espanto,
Do doce e liso pranto, me sorriu.
De repente o encanto,
tão fugaz entanto,
Partiu.
Retornou veloz,
Com encanto embriagado em sua voz,
Sugerindo um novo estar,
Mas não estou,
Mas eu não vou voltar atrás.
Resolvi ficar, resolvi não ver.
Decidi estar, e não apenas ter.
Entendi melhor,
Desapareci, tudo estremeceu,
Tudo se esvaiu.
Com enorme estupidez
Foi arrancado de mim,
Um pedaço do laço,
que mantinha esse começo,
Reconheço, minha culpa, não poderia ser diferente.
Quando a gente precisa de amor,
E não está contente."
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

"Meu Deus! E como transborda!
Que sentidos são esses que aqui não posso expressar?
Porquê tu, anjo, repousas em mim como o mar sobre a areia,
Calmo e voraz, inocente e veloz,
Tu, pássaro reluzente,
Mil vezes mais precioso que um beijo,
Infinitamente mais caloroso do que um abraço,
Tu, és na formosura do ser, a inocência retratada num olhar,
E como ferve esse sentimento,
e adormece fino sobre o berço dos sentidos,
A calma, acalma...
Nem a divindade seria capaz de materializar,
Um sentimento tão extenso, tão puro.
É como a brasa que me enfurece de amor,
Desprezando sentimentos vis,
Limitado às vezes como um cego,
Mas perfumado como o Anis.
Mas me nego a entregar, tal sentimento tão lindo em vão!
Talvez dias nublados virão...
Mas nada que algum dia eu quis."

" Ah se tu soubesse, o vazio que estou sentindo..."
É como se fosse um toco de vela
Se abrindo, se derretendo, se apagando,
Se partindo e esfriando,
No calor do meu bem estar,
Ahhh se soubesse... a frieza em que me encontro,
Tal desencontro seria nada,
E eu seria apenas mais uma amada,
No qual novamente foi esquecida.
Mas não!
Ah, se essa chama, toco que revela,
fizesse grande brasa e aquecesse,
Os invernos da minha alma,
estariam prestes a me abandonar,
Esses sim precisam ir embora,
E não o alguém que quer me amar.
Se tu soubesse o desespero,
E o apelo no qual escrevo,
Estaria tu agonizando,
Sentido pelo fardo do meu frio nervo,
Se tu soubesse a amargura,
De estar sentindo tal mal estar,
Estarias comigo,
Num fervoroso abraçar."

Esse vazio...
Esse vazio que sopra no peito...
Invisível e ácido,
Insensível e pálido...
E tenso como a espera.
Vazio como a falta das flores na primavera,
Frágil como o fino cristal,
Denso como um temporal,
Triste como os contos de Lira,
Enigmático e fervoroso,
Meu corpo todo se arrepia
Na dança macabra da magia
Desencantada do fino pavio,
Do pequeno toco de vela amarelada
No canto de mim encrencada
Por baldes de água congelados,
Sem ter como fugir para os lados,
Apenas esperando,
O esplendor do adeus.
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