segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Mors Tua Vita Mea


"-Que final sangrento! Poderia ter sido diferente se talvez os olhos dele me atraíssem mais!" - Sussurrei fitando aqueles olhos inertes enquanto meu punhal saboreava sua artéria. - As paredes da sala choravam sangue... aquele sangue tão espesso e ínfimo que corria nas veias daquele homem fútil e insensível. Levantei de súbito em direção à primeira garrafa de whiskey que tivesse a cor mais pálida e me fizesse apagar aquele vermelho, aquele... aquele sangue sujo! Estava por toda parte como uma praga que devasta! Minhas mãos choraram com o suor da culpa, de repente estremeci, estremeci não o corpo, mas os sentidos, e eles tomaram conta de mim, e com movimentação maníaca aquela bebida descia amarga e inquietante, transformando o prazer da fuga numa derradeira aflição -"Céus o que eu fiz! Me tornei o que eu mais abomino, me tornei maldade, antes ela penetrava em mim durante algumas frias horas, agora, sou!". Aquilo me perseguia, de repente, um murmúrio flácido e desejado me enfeita os ouvidos, com palavras que pareciam uma outra fuga oportunista. Enraivecida proferi algumas coisas ainda com o gole na boca, fazendo com que a raiva cuspisse toda a dose -"Mas quem é você pra me dizer que o errado é o certo? Não vê que matei um homem?" Logo sua resposta veio de imediato, como se o desespero tivesse me possuído naquele momento, que certo era meu propósito, certo era a retaliação daquela carne. E na penumbra dos sentidos surge uma silhueta esculpida de sentimentos estranhos, enquanto eu apreciava o desenho de cada parte daquele... homem? Um alívio prazeroso tomava e conta das minhas mãos, da minha mente, da minha culpa... Suavemente sua mão cortesã alisava a minha, e numa dança sublime de suas mãos levando meu punhal em direção ao meu pescoço, num passo dançante se pôs atrás de mim... sussurrou com uma doce melodia aquilo que eu precisava fazer... agora eu era meu inimigo, a partir do momento que o tornei à mim, e como todo inimigo, precisava ser morto. Prazerozamente cravei o punhal, sentindo o gosto do sangue, ardente como o fogo, subindo pela minha garganta, delícias se passavam à frente dos meus olhos, quando me vi úmida, coberta pela camada vermelha que outrora me enojou, satisfeita sorri e suavemente profana com um sorriso desfaleci. Agora eu estava livre.

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